A renúncia do papa e a dinâmica demográfica do catolicismo

A recente renúncia do papa Bento XVI, após oito anos de pontificado chamou a atenção mundial, não só pelo ineditismo do ato – fazia séculos que isso não ocorria -, mas também porque ressaltou a condição dos cristãos, especialmente católicos, no contexto religioso internacional.
Atualmente a cristandade reúne quase 1/3 da população mundial e embora a religião islâmica seja hoje aquela de maior crescimento, os muçulmanos correspondem a pouco menos de 25% do efetivo demográfico mundial. Além dessas duas religiões de maior expressão, os indivíduos sem filiação religiosa, os que seguem o hinduísmo e os que professam o budismo formam quase 40% do contingente de pessoas que habitam o planeta. [ver gráfico 1]

Os católicos representam cerca de metade dos seguidores do cristianismo e geograficamente estão numericamente mais concentrados na América Latina, e Europa, mas os continentes nos quais o cristianismo mais vem crescendo nos últimos tempos são a africano e o asiático. [ver gráfico 2]

No último século, houve uma modificação radical na distribuição dos católicos pelo mundo. Em 1900, a soma do número de católicos de todas as demais regiões do mundo não chegava à metade do contingente de católicos existente na Europa. Naquela época o número de europeus seguidores do catolicismo era cerca de três vezes maior do que os existentes na América Latina.

Em 2010, o contingente de católicos latino americanos é aproximadamente 1,5 vezes maior que o de europeus e a soma dos adeptos do catolicismo na África e Ásia já supera o número daqueles que professam essa religião na Europa.

Todavia, o colégio de cardeais que escolherá o novo papa não acompanhou as mudanças ocorridas na dinâmica demográfica do catolicismo. Atualmente, pouco mais da metade dos cardeais que participará do conclave que escolherá o novo mapa é constituída de europeus. [veja o gráfico 3]. Essa é uma das razões daqueles que advogam a escolha de um papa da América Latina, ou quem sabe até da África ou Ásia.

Dos países com maior número de católicos no mundo, três são da América Latina: Brasil (150 milhões), México (100 milhões) e Argentina (36 milhões). Na Europa, os destaques ficam para Itália (57 milhões), França (45 milhões), Espanha (42 milhões), todos países latinos e Polônia (35 milhões), país de origem de João Paulo II, que antecedeu a Bento XVI, este de origem alemã. Na Ásia, o país mais importante são as Filipinas (72 milhões) e na África a República Democrática do Congo (36 milhões).

Nas últimas décadas, por uma combinação de fatores, tanto na América Latina como na Europa, a participação dos católicos no conjunto da população vem apresentando expressiva diminuição. Isso pode ser constatado, por exemplo, no caso brasileiro onde é expressivo crescimento dos cultos evangélicos.

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