Rio Grande do Sul

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Crédito: AA

Maior e mais populoso estado da Região Sul, o Rio Grande do Sul (RS) abriga o extremo meridional do país, o Arroio Chuí.

O estado tem clima temperado, planícies litorâneas, planaltos a oeste e nordeste e depressões no centro. A vegetação é variada: os campos do bioma Pampa, floresta tropical, matas de araucária e restingas. A Lagoa dos Patos, no litoral, é a maior do Brasil.

Por sua história e geografia, o gaúcho cultiva tradições da fronteira com o Uruguai e a Argentina. Entre elas se destacam o chimarrão, o churrasco e o uso de trajes típicos, como as bombachas masculinas (calças folgadas, de origem turca), lenço no pescoço e poncho. Os principais colonizadores foram os imigrantes italianos, que se fixaram, sobretudo, na região serrana, a nordeste do estado, e os alemães, que ocuparam a região do vale do rio dos Sinos, ao norte da capital, Porto Alegre. Os portugueses, incluindo os açorianos, permaneceram no litoral. Tanto os indicadores da economia quanto os socioeconômicos gaúchos são melhores que os da maioria dos demais estados do país.

PANORAMA

O Rio Grande do Sul possui uma das economias mais desenvolvidas do país, que soma 6,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2010. A agropecuária responde por 8,7% do total, a indústria por 29,2% e o setor de serviços por 62,1%. O desempenho é puxado principalmente pelos ramos petroquímico, de máquinas, veículos, implementos agrícolas e de fertilizantes. O estado é o maior produtor de couro e fabricante de calçados do país, refina e também importa petróleo e derivados, como nafta e fertilizantes. Para reduzir o déficit de derivados de petróleo, foi ampliada a refinaria Alberto Pasqualini, com capacidade para processar 30 mil litros de petróleo por dia.

O estado é o segundo maior produtor nacional de trigo, atrás do Paraná, com expressiva colheita de arroz, soja, milho, trigo, erva-mate, fumo, mandioca e uva. As criações de bovinos e aves estão entre as maiores do país.

ENERGIA O Rio Grande do Sul é também o segundo maior produtor de energia eólica, com 390 megawatts em 2012, atrás do Ceará. No mesmo ano, o início das obras do complexo Eólico de Garibatu, em Santa Vitória do Palmar, acrescentará outros 258 megawatts de capacidade instalada.

TURISMO Na Serra Gaúcha, cidades como Gramado e Canela atraem visitantes, pela arquitetura europeia, pelo inverno rigoroso, pela boa comida, pelo vinho e por feiras e eventos. Bento Gonçalves e Caxias do Sul formam o maior centro produtor de vinhos do Brasil. No noroeste do estado, na região das Missões, os municípios de São Borja e São Miguel preservam ruínas das povoações jesuíticas que datam do século XVII, declaradas patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Uma das principais atrações gaúchas é o Parque Nacional de Aparados da Serra, na divisa com Santa Catarina. Destaca-se o cânion do Itaimbezinho, formação rochosa com 5,8 quilômetros de extensão, 2 quilômetros de largura e 720 metros de profundidade.

POPULAÇÃO O estado tem a quinta maior taxa de PIB per capita em 2010, com 23.606 reais, e o quarto melhor IDH, de 0,832, compartilhado com o Rio de Janeiro. A taxa de domicílios ligados a rede de esgoto é de 26% em 2011, e 85,7% têm água canalizada, o que corresponde à taxa de urbanização do estado, de 84,4% em 2011.

CAPITAL Fundada no século XVIII, Porto Alegre é atualmente o centro da região metropolitana, que reúne outros 32 municípios. É o principal polo industrial gaúcho e centro de compras e serviços. A cidade oferece centros culturais, como a Usina do Gasômetro, às margens do rio Guaíba, e é ponto de partida para turismo de aventura.

GEOGRAFIA

Área: 281.730,2 km2.

Relevo: planície litorânea com restinga e areia, planaltos a oeste e a nordeste e depressão no centro.

Ponto mais elevado: serra Geral (1.398 m).

Rios principais: Camaquã, dos Sinos, Ibicuí, Ijuí, Jacuí, Jaguarão, Pelotas, Quaraí, Taquari, Uruguai. Vegetação: campos (campanha gaúcha) a sul e oeste, floresta tropical a leste, matas de araucária a norte, mangues litorâneos.

Clima: subtropical.

Municípios mais populosos: Porto Alegre (1.416.714), Caxias do Sul (446.911), Pelotas (329.435), Canoas (326.505), Santa Maria (263.662), Gravataí (259.138), Viamão (241.190), Novo Hamburgo (239.355), São Leopoldo (217.189), Rio Grande (198.842) (est. 2012).

Hora local: a mesma de Brasília.

Habitante: gaúcho.

POPULAÇÃO

10.770.603 (est. 2012).

Densidade: 38,2 hab./km2 (est. 2012).

Cresc. dem.: 0,5% ao ano (2000-2010).

Pop. urb.: 84,4% (2011).

Domicílios: 3.704.000 (2011);

carência habitacional: 226.966 (2008).

Acesso à água: 85,7%;

acesso à rede de esgoto: 26% (2011).

IDH: 0,832 (2005).

SAÚDE

Mort. inf.: 12,7‰ (2009).

Médicos: 24,1 por 10 mil hab. (2011).

Leitos hosp.: 1,9 por mil hab. (2011).

EDUCAÇÃOEduc. infantil: 291.749 matrículas (65,1% na rede pública).

Ensino fundamental: 1.493.832 matrículas (90,6% na rede pública).

Ensino médio: 404.636 matrículas (89,2% na rede pública) (2011).

Ensino superior: 353.592 matrículas (20,5% na rede pública) (2010).

Analfabetismo: 4,3% (2011);

analfabetismo funcional: 14,4% (2011).

GOVERNO

Governador: Tarso Genro (PT).

Senadores: 3.

Dep. federais: 31.

Dep. estaduais: 55.

Eleitores: 8.328.413 (5,9% do eleitorado brasileiro) (jul./2012). ,

Sede do governo: Palácio Piratini. Praça Marechal Deodoro, s/nº, centro, Porto Alegre. Tel. (51) 3210-4100. Site: http://www.estado.rs.gov.br.

ECONOMIAPIB: R$ 252,5 bilhões;

participação no PIB nacional: 6,7% (2010).

Composição do PIB: agropec.: 8,7%;

ind.: 29,2%;

serv.: 62,1% (2010).

PIB per capita: R$ 23.606 (2010).

Export.: (US$ 19,4 bilhões): soja e derivados (18%), carne, principalmente de aves (10%), fumo (10%), veículos automotores e autopeças (8%), máquinas e equipamentos (6%), plástico e seus produtos (6%), resíduos da extração do óleo de soja (6%), produtos das indústrias químicas (5%), calçados (4%), arroz (3%), outros (24%).

Import.: (US$ 15,7 bilhões): nafta (19%), petróleo (18%), veículos automotores e autopeças (18%), adubos e fertilizantes (10%), máquinas e equipamentos (10%), produtos das indústrias químicas (4%), alimentos (3%), outros (18%) (2011).

TELECOMUNICAÇÕES

Telefonia fixa: 2,6 milhões de linhas (mai./2012).

Celulares: 14,9 milhões (mai./2012).

Domicílios com computador: 1,8 milhão;

acesso à internet: 1,5 milhão (2011).

VIOLÊNCIAOcorrências criminais: 582.752*;

homicídios dolosos: 16** (por 100 mil hab.);

roubos: 503,7 (por 100 mil hab.);

furtos: 1.686,1 (por 100 mil hab.);

estupros: 35,7 (por 100 mil hab.);

delitos envolvendo drogas: 182,2 (por 100 mil hab.) (2011).

*Exclui outras ocorrências sem morte

**Inclui homicídios culposos, que não os de trânsitoCAPITAL

Porto Alegre.

Habitante: porto-alegrense.

População: 1.416.714 (est. 2012).

Veículos: 746.905 (mai./2012).

Prefeito eleito: José Fortunati (PDT).

Nº de vereadores: 36.

Data de fundação: 26/3/1772.

HISTÓRIA

Pelo Tratado de Tordesilhas, o território hoje ocupado pelo Rio Grande do Sul não fazia parte dos domínios portugueses. Com a importância estratégica da área do rio da Prata, a região logo atrai a atenção dos colonizadores. Durante a União Ibérica, período no qual Portugal é governado por Felipe II, da Espanha (1580-1640), a expansão territorial é facilitada, levando os primeiros sertanistas e criadores de gado ao local. Depois é a vez dos bandeirantes paulistas, interessados na captura dos índios guaranis aldeados nas missões do Paraná e do Paraguai pelos padres jesuítas. Em fuga, eles deslocam as aldeias para o sul, ao longo do rio Uruguai. Com dinamismo social e econômico, a área das missões e toda a região sulina atrai os interesses coloniais portugueses.

A metrópole estimula a imigração de famílias açorianas para a recém-criada capitania de São Pedro do Rio Grande. O primeiro povoamento é a base militar criada em 1737 na embocadura da lagoa dos Patos, embrião da cidade portuária de Rio Grande. Dez anos mais tarde, é fundada a vila de Porto dos Casais, atual Porto Alegre. Esse desenvolvimento dificulta a definição da fronteira e a separação entre os domínios de Portugal e as terras da Espanha, que só são acertadas no Tratado de Madri, de 1750. Os índios não aceitam abandonar as terras das missões, passando para o lado argentino do rio Uruguai, o que deflagra a Guerra Guaranítica.

REVOLTAS Subjugados os índios guaranis, as fazendas de gado espalham-se pelo território. O Rio Grande do Sul participa das lutas da independência, mas tem seu crescimento barrado pelo centralismo do Império, o que causa conflitos que culminam com a Revolta dos Farrapos (1835-1845). É nesse período que Giuseppe Garibaldi – um dos responsáveis pela futura unificação da Itália – chega a fundar, com o general David Canabarro, a efêmera República Juliana, em Santa Catarina. A seguir, o estado envolve-se na Guerra do Paraguai (1865-1870).

Nos primeiros anos da República, os gaúchos mergulham na violenta Revolta Federalista (1893-1895), uma guerra civil entre republicanos, compostos de muitos uruguaios, e federalistas, chefiados por Júlio de Castilhos.

PERÍODO REPUBLICANO Durante a Repú-blica, o Rio Grande do Sul continua a receber grande número de imigrantes estrangeiros, principalmente italianos e alemães, num intenso movimento iniciado entre 1870 e 1880. Com os empreendimentos familiares dos imigrantes, a atividade industrial prospera, essencialmente em Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas e Caxias do Sul, com alimentos, tecidos, móveis, calçados, ferramentas e utensílios domésticos.

Nas lutas políticas da República Velha, destacam -se Júlio de Castilhos, Pinheiro Machado e Borges de Medeiros, representantes das oligarquias gaúchas. Sob a liderança de Getúlio Vargas, o estado tem participação decisiva na Revolução de 1930 e no Estado Novo (1937-1945).

Na década de 1970, a indústria se diversifica, com investimentos nos setores químico e metal-mecânico e nos empreen­dimentos de grande porte, como o polo portuário e industrial da cidade de Rio Grande e o polo petroquímico de Triunfo. O estado mantém uma economia equilibrada entre a indústria e a agropecuária e com diferenças sociais menores que outros estados.

CRISE POLÍTICA Em 2007, a Polícia Federal realiza a Operação Rodin, para desmantelar um esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) gaúcho, que teria desviado 44 milhões de reais. Em 2008, uma acusação pública do próprio vice-governador, Paulo Afonso Feijó (DEM), envolve a governadora Yeda Crusius (PSDB) no caso Detran e deflagra uma crise política que leva a um pedido de impeachment contra Crusius. Em outubro, o pedido de impeachment é votado e arquivado na Assembleia Legislativa. Crusius tenta se reeleger em 2010, mas perde para Tarso Genro (PT).

FATOS RECENTES

PRESÍDIOS Dados de dezembro de 2010 do Ministério da Justiça indicam superlotação dos presídios, com 21.007 vagas para 31.383 presos. Em 2008, o governo chegara a decretar situação de emergência nos presídios gaúchos.

POLÍTICA Em 2011, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determina que o governador Tarso Genro (PT) suspenda a criação de 155 cargos comissionados.

As vagas haviam sido instituídas nesse ano na administração do estado.

ESTIAGEM De novembro de 2011 aos primeiros meses de 2012, uma forte seca gera racionamentos de água e perdas agrícolas em diferentes áreas da Região Sul. O estado mais castigado é o Rio Grande do Sul, que passa pela maior seca dos últimos 60 anos. É decretada situação de emergência em 188 municípios e mais de 1 milhão de pessoas são afetadas diretamente.

ELEIÇÕES No primeiro turno das eleições de 2012, José Fortunati (PDT) é reeleito prefeito de Porto Alegre, com 65,2% dos votos válidos.

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