O clima e os tipos de habitações

(do Jornal Mundo)

Como dizia um velho ditado: “cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso”. Esse ditado poderia ser entendido, geograficamente, como “cada terra com sua paisagem, cada paisagem com seu clima”. Todos os elementos componentes do espaço em que o homem habita formam a paisagem geográfica ou meio ambiente. Há elementos da paisagem geográfica que são resultado da própria dinâmica da natureza como o relevo, o solo, a vegetação, a rede hidrográfica, e outros que são fruto das ações humanas como as estradas, as cidades, os campos cultivados, as represas.

A natureza apresenta aspectos diferenciados sobre a superfície do planeta, onde são encontradas áreas de grande umidade ao lado de desertos, áreas onde a vegetação florestal é densa e outras sem nenhuma vegetação, regiões de relevo acidentado vizinhas a vastas regiões planas, espaços que sofrem grande influência do efeito dos oceanos ao lado de outros onde os efeitos moderadores das grandes massas líquidas são inexistentes. As sociedades que vivem nesses meios naturais variados também apresentam grandes diferenças. A forma como evoluíram esses grupos humanos e a maneira como cada um deles se apropriou do meio natural resultam em paisagens geográficas extremamente diversificadas.

Em sociedades nas quais a economia se baseia quase exclusivamente em atividades tradicionais do Setor Primário, a natureza desempenha um papel preponderante na configuração das paisagens. Essa influência pode ser observada, por exemplo, nas moradias, já que elas são construídas de acordo com aquilo que a natureza oferece como madeira, pedra, barro, folhas e ramos de árvores, tendo em vista a ausência de meios tecnológicos modernos e uma rede de transportes inadequada para trazer outros materiais de lugares distantes.

A arquitetura das casas quase sempre obedece às normas “ditadas” pela natureza. Em regiões de grande precipitação pluviométrica, o telhado das moradias é relativamente inclinado para que a água possa escorrer mais facilmente. Já nas regiões onde as chuvas são nulas ou muito escassas, a cobertura das casas é plana, pois sua principal serventia é a de proteger a parte interna das moradias do efeito da insolação.

Por outro lado, nas áreas de clima temperado frio, onde é comum a ocorrência de nevascas, os telhados são ao mesmo tempo lisos e com grande grau de inclinação para evitar que a neve se acumule, provocando desabamento. No sul do Brasil, especialmente nas áreas de colonização europeia, como no vale do Itajaí catarinense, as casas apresentam essa característica, embora a região não apresente registros de queda de neve. Esse tipo de ocorrência deve-se ao fato de que imigrantes alemães, que chegaram àquela região de Santa Catarina em meados do século XIX, construíram, em área de clima subtropical, casas no estilo que estavam acostumados a construir em suas regiões de origem.

Nos grupos humanos que praticam o nomadismo ou o seminomadismo, o material de construção e o estilo das moradias, nesses casos temporárias, revelam as influências do meio natural. É o caso dos iglus construídos pelos inuits nas frias regiões setentrionais do Canadá ou então das tendas usadas por povos de pastores do deserto do Saara, da península Arábica ou do deserto de Gobi, na Mongólia.
Outra ilustração da influência do clima sobre a arquitetura aparece em áreas de climas quentes e úmidos, de relevo relativamente plano, drenadas por rios caudalosos. Nessas regiões, onde são comuns as inundações, as populações ribeirinhas constroem casas sobre estacas, as chamadas palafitas, para se proteger contra o transbordamento dos cursos fluviais. Quem atravessa os rios da bacia Amazônica ou rios do sudeste e leste asiáticos depara-se constantemente com esse tipo de paisagem.

Todavia nas sociedades urbano-industriais a ação do homem transforma radicalmente o meio natural, destruindo a vegetação original, alterando o clima, mudando o curso dos rios, aplainando áreas acidentadas. Os prédios de apartamentos ou de escritórios, as casas e outras construções são edificadas a partir de materiais bastante variados (cimento, ferro, aço, madeira, tijolos, vidro) vindos de lugares mais ou menos distantes e tão importantes quanto o material utilizado, é o estilo da construção.

Muitas vezes, a “ditadura” do estilo gera verdadeiras aberrações, não só nas formas arquitetônicas, mas também na inadequação dos materiais das construções aos climas dominantes. Exemplo patético é o dos “chalés suíços” erguidos em praias tropicais brasileiras.

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