Ajudar os yazidis é difícil, mas não impossível (Oriente Médio – Isil)

Ajudar os yazidis é difícil, mas não impossível

ROBERT FARLEY, THE WASHINGTON POST – O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2014 | 02h 01

Os mesmos fatores que dificultam ataque ao Isil nas montanhas prejudicam envio de comida aos refugiados

A difícil situação dos refugiados yazidis nas montanhas de Sinjar, cercados pelas forças do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês) e a cada dia com menos alimentos e água, voltou a chamar a atenção internacional para a guerra no Iraque. Algumas pessoas sugeriram que EUA ou a ONU acelerem o envio de provisões por paraquedas para os refugiados famintos e desidratados. Mas a situação é mais complicada do que parece.

O primeiro e maior problema é obter autorização do governo iraquiano e do governo da região semiautônoma curda. O que não seria um problema, salvo que os governos não querem admitir que não estão realizando o trabalho humanitário básico. O governo iraquiano precisa criar uma estrutura básica para contar com uma cooperação, como permitir o acesso a bases aéreas, adotar medidas de prevenção para o pessoal estrangeiro e dar autorização para esmagar as defesas aéreas do Isil.

Mas os problemas não terminam aí. Os refugiados não controlam nenhum campo de aviação adequado à aterrissagem de um avião de transporte pesado. E transportar o material sem contar uma pista de aterrissagem é difícil. Os mesmos fatores que dificultam um ataque às guerrilhas nas montanhas impedem o envio de suprimentos aos refugiados. Nesse terreno montanhoso, as altitudes variam radicalmente a cada cem metros, o que se torna uma luta para os refugiados encontrarem as provisões a eles destinadas, a menos que o lançamento seja muito preciso. O que requer uma boa tecnologia e uma grande habilidade dos pilotos.

O lançamento de provisões de alimentos deve ser feito com muito cuidado pois, do contrário, os militantes podem acabar se apoderando da comida e da água. O que não é um desastre, a não ser que os grupos em busca dos pacotes de provisões acabem se deparando com militantes armados em busca da mesma coisa.

O Pentágono trabalhou arduamente na década passada para desenvolver um sistema que permita o lançamento preciso por helicóptero de grandes volumes de material, mas o sistema continua direcionado ao envio de suprimentos para soldados experientes, não para civis não treinados para isso.

Além disso, a entrega de alimentos, especialmente água – por paraquedas, exige tempo e recursos. Uma análise feita de improviso indicou que seriam necessários 24 aviões de transporte C-130 fazendo viagens de ida e volta diariamente para o envio de água para os refugiados. A capacidade iraquiana é limitada pela falta de aviões disponíveis e a necessidade de consagrar os recursos para área onde ocorram combates diretos. O Iraque tem um grupo de aviões C-130 e de aeronaves menores Antonov An-32, mas não bastam para atender às necessidades de uma população tão grande, mesmo sob as melhores circunstâncias. Assim, qualquer operação exigiria o envio de aviões de transporte americanos, turcos ou da Otan.

Há também o problema dos aviões americanos e iraquianos operarem com segurança. O Isil já demonstrou que tem capacidade para derrubar um avião.

O envio de suprimentos para os yazidis não é impossível, mas exige muito trabalho e coordenação, o que não se tem observado na resposta da região ao Isil. A melhor maneira de resolver a crise será provavelmente uma ofensiva terrestre curda que consiga abrir um corredor para encaminhar as provisões. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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