Vale do Ribeira armazena o equivalente a duas Cantareiras (Brasil – Sudeste)

Vale do Ribeira armazena o equivalente a duas Cantareiras

José Maria Tomazela – O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2014 | 02h 00

Conjunto de 8 represas tem capacidade de vazão de até 60 mil litros de água por segundo; uso para abastecimento é previsto em plano

Mauricio de Carvalho/ISA
Menos afetado. Rio Ribeira de Iguape também é conhecido como Vale das Águas pela profusão de recursos hídricos

SOROCABA – O Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo, tem reservatórios equivalentes a dois Sistemas Cantareira, cheios de água límpida e, até agora, intocados. O conjunto de oito represas, seis delas no Rio Juquiá, fornece energia elétrica à Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), empresa do Grupo Votorantim. Juntos, os lagos somam 8,9 quilômetros de lâmina d’água, quatro vezes a extensão das represas do Cantareira. Os mananciais suportam uma captação de 60 mil litros por segundo.

Outras duas barragens estão nos rios do Peixe e Açungui, todos tributários do Rio Ribeira de Iguape, o principal do Vale do Ribeira, também conhecido como Vale das Águas pela profusão de recursos hídricos.

A região, com a maior extensão de Mata Atlântica preservada do Estado, foi a menos afetada pela estiagem que atingiu São Paulo neste ano. O uso dessas águas para suprir a demanda da região metropolitana está no Plano de Aproveitamento dos Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista, do governo estadual, que prevê alternativas para o abastecimento urbano até 2035.

A concessão de uso das barragens feita pelo governo federal à CBA vence em 2016. De acordo com o secretário executivo do Comitê de Bacia Hidrográfica Ribeira de Iguape e Litoral Sul, Ney Ikeda, a renovação terá de ser negociada tendo como foco o uso múltiplo das águas. “Como prevê a legislação, a prioridade deverá ser o abastecimento público”, disse.

A primeira obra de transposição da água do Vale do Ribeira para a Grande São Paulo deve ficar pronta em 2017. O Sistema Produtor São Lourenço, resultado de uma parceria público-privada entre a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e o Consórcio São Lourenço, prevê a captação de 4,7 mil litros por segundo na Represa Cachoeira do França, no Rio Juquiá, no limite entre Ibiúna e Juquitiba. A água será transportada por 83 km de adutoras até uma estação de tratamento em Vargem Grande Paulista, na região metropolitana, para ser distribuída.

O estudo, concluído em 2013, antes da estiagem que afetou o Estado, estima que a demanda de água na Grande São Paulo em 2035 chegará a 283 mil litros por segundo – 60 mil litros a mais do que a disponibilidade atual em períodos normais. Segundo o plano, o Vale do Ribeira é a área mais próxima com água disponível. Em 1996, o decreto que estabeleceu a concessão das barragens do Rio Juquiá ao Grupo Votorantim já previa a “derivação das águas, com reversão de até 4,7 mil litros por segundo, para abastecimento público da Grande São Paulo”.

Alternativa. Na Bacia do Juquiá também está previsto um esquema de obras no seu baixo curso, perto da confluência com o Ribeira de Iguape, visando ao aproveitamento múltiplo de abastecimento de água e geração de energia. O sistema permitiria bombear até 80 litros por segundo para a Represa de Itupararanga, na Bacia do Sorocaba-Médio Tietê, para complementar o abastecimento das regiões de Campinas, Sorocaba e Grande São Paulo.

Para Ikeda, o uso de um volume maior de água do Rio Juquiá requer novos estudos. “Participei das discussões do Plano da Macrometrópole e ficou claro que as propostas precisam ser aprofundadas.” Na opinião do técnico, o Vale do Ribeira tem abundância de água com qualidade porque as condições físico-geográficas do ambiente que abriga os recursos hídricos foram preservadas, mesmo que em prejuízo do desenvolvimento econômico. “Hoje a água é um dos nossos bens mais preciosos e precisa ser valorizada.”

Represas. As represas construídas pelo Grupo Votorantim tinham como finalidade a geração de energia. As barragens foram erguidas entre as décadas de 1950 e 1980. O aproveitamento da água para o abastecimento passou a ser cogitado nos anos 1980. O grande entrave, além da questão ambiental, já que as águas estão cercadas pela Mata Atlântica, está no desnível entre o planalto paulista, onde se encontra a Grande São Paulo, e o Vale do Ribeira. A capital está a uma altitude de 760 metros do nível do mar, enquanto Juquiá está a 17 metros.

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