Parlamento Europeu aprova acordo de livre comércio com o Canadá

Da Radio France Internationale
Eurodeputados contrários ao Ceta se manifestaram durante a votação do acordo no Parlamento Europeu. O acordo foi aprovado por 408 votos a favor, 254 contra e 33 abstenções
Eurodeputados contra o Ceta manifestam-se durante a votaçãoPatrick Seeger/EPA/ Lusa/Direitos Reservados

O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira (15), em Estrasburgo, França, o tratado de livre comércio entre União Europeia e Canadá (Ceta), abrindo caminho para a implementação provisória deste espaço de livre negociação, que envolve um mercado de 550 milhões de pessoas.

Após um debate de três horas, marcado por uma série de críticas entre partidários e opositores, os eurodeputados aprovaram, por 408 votos a favor, 254 contra e 33 abstenções, o acordo conhecido como Ceta (acrônimo, em inglês, de Comprehensive Economic and Trade Agreement).

A União Europeia espera que esse tratado comercial, negociado durante sete anos, se converta em um modelo de futuros acordos, como o negociado com o Mercosul, em um contexto de incerteza no comércio internacional, depois da chegada de Donald Trump à Casa Branca.

Trump anunciou, em janeiro, a saída dos Estados Unidos do Tratado Transpacífico de Cooperação Econômica e a intenção de renegociar o Tratado de Livre Comércio para América do Norte, por considerá-lo especialmente generoso com o México.

Críticas e protestos

A votação desta quarta-feira no Parlamento Europeu foi marcada por protestos. Cerca de 700 opositores se manifestaram em Estrasburgo, segundo a polícia local, e dezenas de pessoas bloquearam a entrada principal ao Parlamento. Os adversários do Ceta consideram o acordo antidemocrático, excessivamente favorável às multinacionais e em nada preocupado com a ecologia e o meio ambiente, além de perigoso para a agricultura europeia.

“Nestes tempos de incerteza, com o crescente protecionismo mundial, o Ceta sublinha o nosso forte compromisso com o comércio sustentável”, respondeu a comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmström, após a votação. “Nada neste acordo afetará a segurança dos alimentos que comemos e os produtos que compramos ou resultará na privatização dos serviços públicos”, assegurou Cecilia aos eurodeputados durante o debate sobre o tratado.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, deverá falar no Parlamento Europeu nesta quinta-feira (16), evocando o “caráter especialmente progressista do acordo de livre comércio”, segundo seu gabinete. “Os intensos debates sobre o Ceta refletem o caráter democrático das tomadas de decisões na Europa”, disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

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